No fim do ano passado, quando as listas americanas de melhores quadrinhos de 2018 começaram a pipocar pela internet, um azarão, feito por um desconhecido, chamou a atenção: Upgrade Soul, de Ezra Claytan Daniels, lançada pela pequena editora Lion Forge. A Vulture incluiu-a na sua lista de 10 mais, enquanto a Paste Magazine a colocou logo num surpreendente primeiro lugar, empatado com o aguardado épico sobre a ascensão do nazismo de Jason Lutes, Berlin. A Comics Beat perguntou se era a melhor ficção científica da década e o Comics Journal chamou o criador de “formidavelmente talentoso”.

De onde veio esse quadrinista tão maduro? Como surgiu esse trabalho tão potente?

Eternidade x efemeridade
Daniels está longe de ser novato. Multiartista, é escritor, cineasta, ilustrador, animador. Faz gibis desde 2003, embrenhou-se nos quadrinhos digitais desde o começo desta década. Levou cerca de quinze anos para produzir Upgrade Soul, cujo histórico do projeto valeria uma obra a respeito: estreou como aplicativo imersivo em 2012, com trilha sonora e efeitos 3D, para ser publicada fisicamente somente muito tempo depois.

De fato, a HQ mostra-se um material denso. Tem uma trama, sobre um casal de idosos dispostos a encarar os mistérios da ciência em busca da juventude perdida com o tempo, que reflete a essência humana de forma emocional, tensa e sutil, sem servir de panfleto para as ideias do autor. Destaque para as cenas longas, nas quais há tempo para os personagens interagirem entre si e se mostrarem palpáveis, como pessoas reais do dia a dia. O reconhecimento alcançado, que lhe valeu uma indicação ao prêmio Eisner deste ano na categoria “Melhor Álbum Gráfico – Reimpressão”, é mais que merecido.

Terror no subúrbio
Mesmo com as boas críticas, a produção de Daniels não se acomodou: acaba de publicar BTTM FDRS, pela Fantagraphics, parceria com o também americano Ben Passmore. A história trata da gentrificação de um bairro pobre de Chicago, sob o ponto de vista de uma jovem artista que passa a morar na região, misturando elementos políticos com o horror biológico do cineasta David Cronenberg. O estilo de desenho de Passmore, meio cartunesco e usando apenas cores primárias e secundárias saturadas, traz uma sensação de irrealidade a um enredo claustrofóbico. Tivesse umas cinquenta páginas a menos, o gibi entregaria a mensagem com mais força. Mesmo assim, existem vários méritos no roteiro, principalmente na condução lenta que leva a uma escalada da estranheza.

Para entender mais sobre a carreira de Daniels, nome que ficará por muito tempo no mercado, conversei com ele por e-mail. Além de comentar as HQs recentes, revelou seu processo criativo, divagou sobre clonagem e apropriação cultural, e explicou por que os quadrinhos digitais não vingaram.

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Capa da edição americana de Upgrade Soul, da editora Lion Forge

 

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Capa da edição americana de BTTM FDRS, da Fantagraphics

 


 

Ezra, Upgrade Soul é uma história lançada há seis anos, mas somente em 2018 se tornou conhecida por um público maior, muito pela publicação da versão impressa. Te surpreendeu a escala que o livro atingiu apenas agora?

Eu sou muito objetivo a respeito da qualidade do meu trabalho. Sei que não sou o escritor mais naturalista do mundo, e sei também que minha arte pode parecer estranha e insegura, mas trabalhei em Upgrade Soul por quinze anos, do começo até o fim dela, e muito desse tempo foi gasto voltando e refazendo coisas que achava que poderiam ser melhores. Tive todo esse trabalho pois queria que o livro fosse a melhor coisa possível considerando minha capacidade de criação, e estou feliz em como as coisas se desenvolveram.

Durante todo o tempo trabalhando na obra, mostrava-a por aí de vez quando, mas ninguém queria publicá-la. Tipo, NINGUÉM. Eventualmente, aceitei que nunca encontraria uma grande audiência. Então, de certa forma, a atenção conseguida pelo livro quando finalmente ganhou impressão não foi surpreendente, foi como “sim, é por isso que gastei tanto tempo nessa coisa!”.

Então, quando você começou Upgrade Soul era a época da clonagem da ovelha Dolly, não? Como você concebeu a história?

Acho que foi uns cinco anos depois de Dolly. A faísca original de inspiração surgiu pra mim no primeiro ano de escola de arte. Cresci numa cidade pequena do Iowa, onde me destacava como artista e escritor. Depois, me mudei pra Portland, no Oregon, e de repente me vi cercado por dúzias de pessoas que eram não apenas melhores em coisas que achava que eu dominava, mas melhores também em coisas que eu nem compreendia. O terror existencial de ser passado pra trás por alguém que, em certo sentido, é melhor naquilo que te define foi a fundação para a história.

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Você já se preocupou a respeito da clonagem de humanos? O que pensa sobre a ética envolvida nesse assunto?

Todo avanço científico tem potencial para o bem e para o mal. Como escritor de sci-fi, eu tendo, de forma meio egoísta, a ficar mais intrigado nos dramas éticos que surgem quando as pessoas forçam as coisas além da conta. Lembra daquele rato com uma orelha humano crescendo nas costas? E ética é algo tão subjetivo e obscurecido por nossas próprias experiências e percepções que eu quase acho absurdo julgar o certo e o errado.

Enquanto espécie, nós já fizemos inúmeras coisas consideradas totalmente normais no passado, que hoje seriam hediondas. E muito do que fazemos hoje sem uma reflexão será considerado hediondo em cinquenta ou cem anos. Esse é um grande tema de Upgrade Soul. O que é bom ou mau e quem pode julgar isso?

A respeito da versão app da história: por que decidiu criá-la primeiro para uma plataforma digital? Teve muita diferença da produção pra um quadrinho “normal”?

Enquanto tentava mostrar o trabalho pra outras pessoas, meu amigo Erik Loyer surgiu com ideias para desenvolver uma plataforma digital de gibis. Ele me perguntou se queria criar algo pra aquilo e eu “bom, que tal um melodrama sci-fi de trezentas páginas?”. Ele topou e logo percebemos que estávamos sendo muito ambiciosos. Já tinha desenhado cerca de trinta páginas quando decidimos que o faríamos como um app imersivo. Então, tive que refazer uma parte para aplicar os efeitos Parallax. Mas, uma vez que entendi o fluxo de trabalho, tornou-se muito fluído.

Sempre soube que queria uma versão impressa, por isso desenhei com isso em mente. A única coisa que precisei fazer diferente do normal: desenhar em camadas, para permitir o suporte a esses efeitos de profundidade. E quando foi para impressão, somente era uma questão de “achatar” os arquivos no Photoshop.

Na época do lançamento do app, o Comixology ainda era uma novidade quente e um veículo promissor para autores e editoras. Existia também alguns experimentos bem audaciosos usando novos jeitos de contar histórias em quadrinhos. Você acha que essa tendência perdeu força?

Provavelmente tenho bastante a dizer sobre isso… Erik e eu colocamos MUITO esforço nisso, desenvolvemos todo um “etos” que eu eventualmente transformei num pequeno manifesto, servindo de base para o banco de dados sobre HQs digital Screendiver.

Toda a indústria de apps perdeu força ao longo dos anos, e acho natural. Teve um enorme crescimento no começo, pois todo mundo pensava que poderia ficar rico se apenas produzisse um aplicativo. Depois, diminuiu a procura, e as pessoas se tornaram mais conservadoras com seus experimentos após ver quanto tempo e dinheiro acabaram jogados fora com ideias que não viraram sucesso.

O grande problema com os quadrinhos digitais é que a percepção de valor na App Store da Apple é absurdamente menor que em outros mercados. Pagar vinte dólares na versão impressa de Upgrade Soul parece uma pechincha, mas as pessoas se recusam a pagar o mesmo por um app, mesmo com todos os efeitos extras e uma trilha sonora original. Então, muita gente, nós inclusos, tivemos que nos afastar porque o processo era caro e muito mais difícil para gerar dinheiro.

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Como é seu trabalho com cinema? Como essa atividade garante suporte a seu trabalho com quadrinhos?

Filmes sempre foram meu primeiro amor. Na verdade, fui pra escola de arte querendo fazer cinema. Mudei para as HQs porque percebi que seria um caminho mais fácil e econômico para contar as histórias que eu queria contar. Desde então, me envolvi em animação, storytelling interativo e performance ao vivo.

Já participei de turnês com músicos – o que me deu a habilidade e coragem pra organizar a turnê de autógrafos de Upgrade Soul, com 22 paradas pelos Estados Unidos perto do fim do ano passado. Trabalhei por algum tempo fazendo ilustrações médicas e técnicas para processos legais de grande repercussão, e o estilo limpo, estéril que desenvolvi foi uma grande influência em como eu desenharia o livro. Sendo honesto, parte da razão de eu ter perseguido várias formas de expressão era pelo fato de eu não conseguir entrar no mercado de quadrinhos.

Quando comecei a fazer roteiros, com vinte e poucos, se uma editora tivesse me contratado, minha carreira seria muito diferente hoje em dia. Mas, olhando pra trás, fico agradecido de isso nunca ter acontecido, pois meu trabalho se tornou muito mais singular e distinguível por conta desse estranho caminho que tomei.

Voltando para a questão do tempo de produção: nos últimos anos, muitos quadrinhos que levaram até mesmo décadas para serem feitos foram publicados, sempre caindo nas graças de crítica e público. Vêm à mente Berlin (do Jason Luttes), Clyde Fans (Seth) e Angola Janga (Marcelo D’Salete). Rusty Brown, o próximo do Chris Ware, é outro que demorou muito pra ser finalizado. Por que isso tem virado um padrão? Há alguma conexão entre qualidade e tempo trabalhado?

Bem, qualidade é subjetiva. Produzi materiais com os quais estou muito satisfeito em um período bem curto. Alguns dos meus ilustradores favoritos têm um estilo veloz e solto que simplesmente fluem deles, e parte do meu tipo favorito de arte é criada num momento de inspiração, deixando interpretações totalmente a cargo do espectador.

Mas acredito que criar algo com real, significativa e intencional profundidade leva tempo, não tem o que fazer. Existem duas razões pelas quais trabalhar em quadrinhos demora tanto em comparação com outras mídias. Primeiro: a maioria dos criadores, ao menos nos Estados Unidos, precisa ter um trabalho fixo ou pegar coisas secundárias para sobreviver. Segundo: o tipo de gibis sobre os quais você falou não são produzidos por um time, como um filme é. Não existe divisão de trabalho pra acelerar o processo. Na verdade, o que é considerado “literário” nas HQs é quase exclusivamente trabalhos autorais de um único escritor/desenhista.

E é diferente de escrever um romance também, pois você está falando de uma pessoa que precisa se destacar em dois conjuntos de habilidades diferentes. Posso dizer, pela minha experiência pessoal, que muitas vezes existe uma dessas habilidades com a qual o quadrinista fica mais confortável. Isso também adiciona tempo – você está aprendendo conforme faz e acaba refazendo algumas coisas. No mínimo, você está trabalhando devagar porque talvez tenha menos confiança ou simplesmente não gosta o bastante de uma parte específica da criação. Pra mim, a parte legal é a escrita. Desenhar Upgrade Soul, por exemplo, foi como arrancar um dente quase o tempo todo.

Vamos falar agora a respeito de BTTM FDRS. Gentrificação é o principal tema discutido no enredo – e é algo pelo qual praticamente todas as grandes cidades no mundo têm passado. Você vive em Los Angeles, certo? Como é a questão de moradia por aí?

É algo com o qual vários jovens artistas estão lutando, por isso quis debater o assunto, essa ideia de culpabilidade. Artistas são a linha de frente da gentrificação, mas com frequência é algo que surge da necessidade, já que não conseguem bancar uma vida em outro lugar a não ser bairros com custo de vida mais barato.

Acho que a questão se torna problemática quando se escolhe remover habitantes desses lugares não pelo fato de não conseguirem pagar, mas por conta do “cachê cultural” que vem ao se morar lá. E é especialmente escandaloso quando os novos moradores se recusam a se engajar na comunidade que lá já existia ou se esforçam para mudá-la. Essa é a ironia que queria destacar em BTTM FDRS.

Por que a história se passa em Chicago?

Comecei a trabalhar nela quando morava em Chicago. Na verdade, a trama se tornou uma espécie de carta de amor aos meus vinte e poucos anos, época em que vivi lá ficando em albergues próximos a projetos de habitação social, tentando encontrar minha voz artística e entender minhas responsabilidades como cidadão. Chicago foi onde eu, pela primeira vez, pude experienciar o que era gentrificação e como ela poderia machucar as pessoas.

Eu gosto de como a HQ é mais uma sátira, com diálogos engraçados mesmo quando as coisas ficam tensas e bizarras, que realmente um mergulho no puro terror. Quais eram seus objetivos com o roteiro?

Eu realmente queria demonstrar um complexo ponto de vista político da forma mais palatável possível. Gentrificação e apropriação cultural são temas importantes, porém é fácil apenas catequizar os convertidos na hora de escrever a respeito. Queria que a HQ passasse despercebida para atingir pessoas que nunca leriam um quadrinho sobre esses assuntos.

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Ben Passmore é reconhecido por Your Black Friend, uma sátira brilhante sobre racismo estrutural. BTTM FDRS tem muitas similaridades com esse trabalho ao refletir a respeito de um tema que afeta diretamente parte da comunidade negra americana, além de compartilhar o mesmo estilo irônico de escrita. Essa foi a razão para você escolhê-lo para desenhar o livro?

Ben e eu nos conhecemos em 2013 num festival de quadrinhos em Chicago chamado CAKE. Ele chamou minha atenção porque se parece comigo: ambos somos multirraciais e carecas com óculos. Mas quando vi seu quadrinho Dayglo Ayhole eu sabia que era um cara destinado a grandes coisas. Eu tinha escrito um rascunho de BTTM anos antes, só que a mensagem política não estava muito clara.

Depois de terminar Upgrade Soul, estava desesperado para escrever algo engraçado e leve, então voltei para esse roteiro – e o trabalho de Ben foi uma grande influência nas versões finais, especialmente no sentido de inserir sátira e definir um tema político mais coerente. Sempre imaginei um estilo de arte voltado ao terror tradicional, mas no momento em que terminei de escrever, fiquei realmente ansioso para trabalhar com Ben antes de ele ficar tremendamente famoso.

Como foi ter outro artista desenhando seu roteiro, levando em conta que você é um perfeccionista?

Foi muito libertador. Mas acho que somente pelo fato de Ben ser um talento enorme. Eu enviei pra ele um roteiro que nem mesmo estava formatado para quadrinhos. Não tinha marcações de quadros ou quebras de páginas – parecia um roteiro de filme, pois é assim que escrevo. Eu não sabia o que esperar, mas queria dar a ele a liberdade para se expressar e manter sua voz. As escolhas que fez muitas vezes foram surpreendentes e inesperadas, mas todas fizeram a obra ficar melhor.

Apesar de você ser multirracial, você é branco. Em algum momento se sentiu intimidado por escrever personagens negros que enfrentam problemas reais encarados pela comunidade negra?

Eu sei que raça e identidade no Brasil são tão complexas como nos EUA, mas para ser claro: nunca me identifiquei como branco. Tenho pele clara e muitas vezes me passo por branco, o que significa que me beneficio do privilégio branco, mas meu pai era negro, assim como metade da minha família. Então, nunca me senti intimidado por escrever uma experiência negra. Fico muito mais intimidado por escrever uma experiência feminina, como as das duas protagonistas.

Sou bem consciente do problema de vozes marginalizadas sendo cooptadas por vozes privilegiadas. Obviamente, a mais autêntica experiência feminina será escrita por uma mulher, assim como a mais autêntica experiência negra será escrita por um negro. Ao mesmo tempo, existem muitos protagonistas homens na ficção, e eu não queria fazer mais um. Eu adoro ver mulheres e pessoas não-binárias, particularmente mulheres e pessoas não-binárias negras, representadas na ficção. Queria fazer algo que minhas sobrinhas e sobrinhos negros pudessem ler e se sentirem inspirados.

Acredito que seja possível escrever uma experiência que não a sua, mas exige responsabilidade. Você precisa pesquisar muito e conversar com as pessoas a respeito de suas vidas. Acho que o melhor truque é amar alguém que compartilhe a identidade do personagem que está tentando criar.

Mesmo assim, é preciso esperar que algo possa sair errado. Isso sim é intimidador. Foi um grande obstáculo para mim em Upgrade Soul, por exemplo. Uma personagem tem uma desfiguração facial severa, porém não tenho ninguém próximo que vive com essa experiência. Por isso, tive que me basear em entrevistas e leituras para encontrar uma conexão natural a essa experiência.

O Brasil elegeu ano passado um presidente com tendências misóginas, homofóbicas e racistas – igual o presidente dos EUA. Você acredita que problemas envolvendo questões raciais aumentaram após a eleição de Donald Trump?

Eu não acho que gente como Bolsonaro ou Trump façam os outros serem mais racistas ou homofóbicos. As pessoas já eram racistas e homofóbicas – elas apenas se sentem mais confortáveis em assumirem isso agora. Infelizmente, racistas sendo mais abertos e confiantes com seu racismo significa que estarão mais dispostos a cometer atos de violência. Acredito que o ponto positivo é que se tornou muito mais difícil defender o argumento absurdo de “o racismo/sexismo acabou” para se opor a legislações visando a corrigir desigualdades raciais.

Homens brancos racistas estão se mostrando mais do que nunca, e ficou claro para todos que eles são as pessoas com as quais devemos nos preocupar. Quantos negros abriram fogo em escolas ou shopping centers? Quantas mulheres? Outro dia, um centro social que já recebeu Martin Luther King foi incendiado, e as autoridades encontraram um símbolo de supremacia branca no local. Você consegue imaginar esse tipo de violência e destruição sendo perpetrada por uma organização com tendências políticas de esquerda?

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O horror existente em BTTM FDRS é revelado sem pressa, criando uma presença ameaçadora quase palpável. Upgraded Soul também tem muito disso. Qual sua relação com esse gênero? Você acha que ele passa por um bom momento nos quadrinhos?

Horror nas HQs é muito difícil de ser alcançado. Na prosa, a ferramenta mais poderosa para isso é a imaginação visual do leitor. No cinema, é o design de som e o ritmo, que incluem sustos inesperados. Nos quadrinhos, em minha opinião, é criar um senso geral de desconforto. Meu quadrinhos de terror favoritos, como Black Hole, Floresta dos Medos, Sabrina e os trabalhos de Junji Ito, todos possuem um senso de se estar preso a um mundo malvado e inquietante.

Há um renascimento do horror no cinema acontecendo atualmente que deve muito ao crescimento de vozes marginalizadas. Filmes como Corra! desenvolvem metáforas para o horror do mundo real de uma forma típica da ficção científica, e isso ajuda a fazer histórias mais interessantes e desconcertantes que os tradicionais slashers ou outros exercícios em tensão.

As sequências mais gráficas de BTTM são bem parecidas com aquelas encontradas nos filmes de David Cronenberg – homem e máquina combinados em um novo ser. Voltando à questão do cinema na sua vida: quais são suas maiores influências nessa mídia?

Sou muito fã especialmente de filmes de gênero. A maioria das minhas influências é de cineastas, mais que cartunistas. Citaria, claro, David Cronenberg, assim como Andrei Tarkovski, Terrence Mallick do começo da carreira, Claire Denis, Katsuhiro Otomo, Michael Haneke, Takeshi Miike, filmes como The Spook Who Sat by the Door, Planeta Fantástico e Ganja & Hess. Dos diretores mais novos, Shaka King, Natalia Leite, Nia DeCosta e Adam Leon. Com certeza, Jordan Peele também virou uma grande força moderna. O Homem Elefante, de David Lynch, é outra influência básica, principalmente em Upgrade Soul.

Você conhece algo da cena de quadrinhos brasileira?

Admito que não muito até recentemente. Eu conheço Fábio Moon e Gabriel Bá, com quem estive em uma antologia há muito tempo atrás. Conheço Rafael Coutinho, cuja arte eu AMO, mas seus trabalhos não foram traduzidos para inglês até onde sei. Tive muita sorte de encontrar e passar um tempo com Rafael e outros quadrinistas como Fábio Zimbres e Diego Gerlach no Fumetto Comics Festival na Suíça alguns anos atrás.

Para terminar: qual o sentimento de ser nomeado ao Eisner?

É muito surreal. Acredito que ainda não caiu a ficha do quão grande isso é, mas quando me imagino na cerimônia, fico até enjoado.

 

 

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