(Outros textos sobre gibis da Image Comics estão aqui, aqui e aqui)

Extremity
Daniel Warren Johnson (roteiro e arte)

Extremity

Pela sinopse, Extremity parece mais do mesmo: um conto de vingança em meio a um cenário de fantasia/sci-fi. Mas, desde a primeira edição, o novato artista Daniel Warren Johnson revela habilidade pra trabalhar com um enredo manjadíssimo. Ao invés de contar primeiro o que levou um pequeno clã a se rebelar contra a opressão exercida pela realeza, ele joga o leitor direto na ação. Mergulhamos numa história já em andamento – com isso, o ritmo da HQ é sempre frenético, principalmente pelas várias sequências de lutas e violência pesada. O passado se revela aos poucos, estabelecendo a psicologia dos protagonistas (um pai sedento por sangue inimigo e seus dois filhos, uma garota desenhista e um menino de coração enorme). Apesar de ser “massavéia”, a série encontra tempo para refletir sobre temas profundos, como o círculo vicioso da guerra, a validade da vingança, a lealdade aos valores impostos pela família. A parte visual também vale menção especial, principalmente pelo largo uso de onomatopeias e pelas cores fortes que modulam as emoções das cenas. Johnson tem uma arte detalhista, construindo mundos bonitos de serem vistos – e o toque cartunesco nas expressões dos personagens traz leveza às cenas sanguinolentas. Extremity é algo pra se ficar de olho, um ótimo entretenimento com neurônios.
(Edições lidas: 1 a 6)

Generation Gone
Ales Kot (roteiro) e André Lima Araújo (arte)

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Generation Gone também não tem o plot mais original. Dá pra fazer listas enormes dos gibis que mostram pessoas normais virando super-heróis e as consequências disso em suas vidas. Mas, neste caso, quem assume os roteiros é Ales Kot, jovem tcheco radicado nos Estados Unidos, autor de algumas maravilhas (incluindo Zero e Bucky Barnes: O Soldado Invernal). Com ele, a pegada é outra. Os personagens conversam bastante, expondo pontos de vista, sentimentos, desejos. O caráter de cada um se constrói basicamente pelo diálogo – e, o melhor, todos têm voz própria. São inseridas provocações em relação à diferença de foco e visão de vida entre as gerações mais velhas e os millennials. O cerne da HQ está aqui: o indivíduo contra a máquina coletiva. Os traços do português André Lima Araújo não são os mais belos do mundo, embora constroem composições visuais eficientes – a primeira edição da série possui páginas e páginas sem diálogo, somente com o desenho conduzindo a narrativa. É cedo para avaliar Generation Gone. O gosto de déjà vu fica na boca após a leitura. No entanto, a chance de Kot apresentar algo além do comum não deve ser descartada.
(Edições lidas: 1 e 2)

Invisible Republic
Corinna Bechko (roteiro) e Gabriel Hardman (roteiro e arte)

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No século 29, a humanidade já conquistou o espaço e colonizou sistemas próximos. As relações de exploração entre classes sociais não mudou nada, no entanto: trabalhadores produzem enquanto poucos (políticos e endinheirados) consomem. Um movimento de guerrilha começa a atuar em determinado planeta e seu líder, tempos depois, torna-se o ditador local, sendo tão tirano quanto o inimigo contra o qual lutava. A série criada pelo casal Bechko e Hardman se destaca pela riqueza nas relações entre personagens. A prioridade está em analisar a moralidade de cada um, o que permite comentários a respeito dos abusos do poder. Questões envolvendo universo, tecnologia e viagem espacial ficam em terceiro plano. O enredo cheio de intrigas tem o foco na prima desconhecida desse déspota, uma mulher apagada da História. Flashbacks a partir do diário secreto da personagem são mesclados com a ação desenrolada no presente – a colorização ajuda a separar os momentos temporais: o passado possui tons mais vivos, enquanto o agora é basicamente cinza. Toda a trama, porém, se desenvolve devagar, em fogo brando, algo que pode afastar o leitor interessado em correria e explosões – ainda mais pelo fato de as sequências de ação serem fracas e cheias de clichês (incluindo tiros que teimam em não acertar o alvo a pouca distância). Quem souber entender o andamento de Invisible Republic encontrará uma história poderosa, com reviravoltas imprevisíveis.
(Edições lidas: 1 a 10)

 

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