Will Eisner, Goseki Kojima, Neal Adams, Alberto Breccia, cinema noir, literatura pulp. As principais influências de Frank Miller já foram debatidas e analisadas por anos a fio – inclusive por ele próprio em entrevistas, documentários e livros.

Mas pouco se fala a respeito de um nome que antecipou em alguns anos a revolução narrativa causada por Miller quando ele ainda era o novato roteirista e artista da revista mensal do Demolidor, no início dos anos 1980. Marshall Rogers era somente sete anos mais velho que Frank, mas já trabalhava em um título de peso da DC desde 1976. Em Detective Comics, a imaginação e o dinamismo de Rogers lembram – e muito – o trabalho dos primeiros anos de Frank.

Difícil cravar que um tenha influenciado o outro. Porém, uma análise aproximada revela que ambos possuíam o mesmo senso apurado para criar conceitos visuais que fugiam dos métodos ortodoxos de narração. A comparação vale mais pela brincadeira saudável de esmiuçar a arte de dois gigantes.

A seguir, alguns pontos em comum entre Rogers e Miller.

-Uso das sombras

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As histórias do Batman desenhadas por Rogers geralmente possuem um tom detetivesco, que raspam de leve em contos de terror. Por isso, as sombras ajudam a enfatizar o mistério dos enredos

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Miller dá à cor preta um sentido mais profundo: cria no leitor uma sensação de dúvida em relação à moralidade e às atitudes dos personagens. Sua fase no Demolidor mais parece um grande filme noir urbano, onde (quase) ninguém é confiável

-Clareza na movimentação e ação dos personagens

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Não há muitas cenas de ação física em Detective Comics. Mas as poucas encontradas são como a imagem acima, feita de forma a não deixar dúvidas para o leitor a respeito do “espaço cênico” pelo qual os personagens se movimentam. Com clareza, sabemos de onde Batman vem e para onde vai

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As lutas corporais de Miller possuem uma sequência lógica de movimentos, acompanhando sempre a posição dos personagens espalhados pelo cenário. Aliás, esse título possui algumas das pancadarias mais bem coreografadas encontradas em uma revista de super-herói

-Close-ups

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O efeito básico do close-up é gerar expressividade por meio da intimidade: quanto mais o enquadramento se aproxima de um personagem, maior a carga dramática de uma cena. Acima, a namorada de Bruce Wayne chega à conclusão de que ele é o Batman; abaixo, o pai de Elektra Natchios é assassinado

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-Onomatopeia como parte da diagramação

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A onomatopeia pode tanto destacar um acontecimento de impacto como guiar o sentido de leitura. Esse recurso quebra a monotonia dos quadros, fazendo com que a ação “salte” para fora da página

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-Composição com planos detalhes

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Mãos, dentes cerrados, olhos, sombras: imagens em plano detalhe (uma espécie de close-up extremo) passam a sensação de urgência e hesitação inerentes à cena

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Aqui, Miller usa a técnica para ressaltar os sentidos aguçados de Matt Murdock

Ainda está nas bancas o volume 1 da série Lendas do Cavaleiro das Trevas dedicada a Marshall Rogers, lançado pela Panini em janeiro. Os roteiros em si não são grande coisa (apesar de algumas boas tramas escritas por Steve Englehart). Vale mesmo conferir Rogers, um dos melhores – e mais obscuros – artistas a desenhar Batman.

Quanto ao Demolidor de Frank Miller, pode ser encontrado em dois livrões capa dura, também pela Panini – o volume final deve sair mais tarde neste ano.

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