Escrita por Brian Azzarello, 100 Balas é uma das bandeiras do selo Vertigo, da DC. Atualizou o romance policial pulp, trazendo o rigor estético do noir às ruas sujas dos Estados Unidos contemporâneo, repletas de gangues, palavrões, drogas e violência.

Não pretendo me estender muito a respeito da trama, portanto segue a sinopse básica: pessoas que tiveram a vida destruída recebem uma maleta com provas reveladoras sobre quem as ferrou, uma arma e cem balas irrastreáveis. Fazer justiça com as próprias mãos ou não? Depende da moral de cada um. E o que aparenta ser um simples jogo de honra se mostra uma intrincada partida de xadrez, com criminosos de alto porte no comando das peças.

Quero falar é da arte inconfundível do argentino Eduardo Risso, responsável pela inventiva identidade visual da série. Os traços distorcidos, quase cartunescos, trazem humanidade a esse mundo cheio de perigos e contradições. O fotorrealismo jamais caberia em 100 Balas: tornaria tudo tão árido que seria difícil olhar para as páginas.

Dá até pra chamar o estilo de Risso de impressionista – e Will Eisner certamente concordaria. No livro Eisner/Miller – Uma entrevista conduzida cara a cara por Charles Brownstein (Editora Criativo), o godfather dos quadrinhos troca ideias com outro cara quase sem importância, um tal de Frank Miller. Em certo momento, ambos começam a falar sobre as características do trabalho de cada um. “Ninguém sabe com exatidão quantos degraus tem a escada na entrada de uma casa”, comenta Eisner. “O que é importante é que estão lá e que existe um corrimão do lado e que há um sentimento. Tudo o que precisa é um pouco dele. Isso tem a ver com o que eu chamo de impressionismo”.

Risso segue essa escola do “menos é mais”. Ao invés de entupir de detalhes as dezenas de cidades americanas pelas quais a história transita, ele define a paisagem icônica de cada uma com traços econômicos, geralmente usando luz e sombra para dar forma a personagens e objetos – que muitas vezes são retratados apenas como silhuetas. A imagem do posto de gasolina que coloco mais abaixo, por exemplo, transmite mais informações do que aparenta: um local no meio do nada, onde fazer uma parada pode ser um tanto perigoso. Um único quadrinho sem falas, que faz a narrativa andar pra frente. Coisa de louco.

Por falar em narrativa, que mestre da elegância é Risso. Suas páginas e sequências mudas fluem por entre closes e planos-detalhe. Os enquadramentos fogem do usual, independente da ação retratada – quem imaginaria mostrar uma quadra de basquete do ponto de vista da cesta?

Melhor do que escrever sobre ele, só mesmo ver as maravilhas que já produziu. Abaixo, um tiquinho da beleza visual de 100 Balas.

detective

court

death

dizzy

loop

milo

graves

gas

milo_lono2

duel

plane

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s